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Exposição Coletiva "Núcleo" 

Galeria A7MA

Vila Madalena / SP

2017

Gaston Bachelard nos diz da existência de um núcleo devaneante, uma zona do estado psicológico relacionada diretamente ao élan vital, a energia originária e primitiva que nos acessa independentemente dos controles da consciência. Para ele, é da anterioridade dessa fonte que jorram as pulsões da vontade que geram o mundo realizado. Tal sentimento pode ser comparado ao “It” de Clarice Lispector que, também antecedendo ao espirito, é uma parte do “pensamento atrás do pensamento”, anterior até ao inconsciente da psicanálise. Para ambos, este núcleo é fixo e disperso ao mesmo tempo, como algo que se faz e se desfaz ao seu bel prazer, estando espalhado por toda parte, acessível a qualquer hora e lugar. Como eles mesmos dizem, nós estamos  abarcados nisso que permeia tudo, ou seja, não somos nós que o acessamos e sim ele que incondicionalmente nos acessa.

 

Como quem sente a necessidade de habitar a fonte, sem jamais abandoná-la, a mostra “Núcleo” pretende aproximar-se da atmosfera sub particular disso que chamamos de A7MA.

 

Abrindo a intimidade das nossas vontades mais sinceras – a região nuclear que reúne seres da arte vindos de todas as cidades -, celebramos cinco voltas em torno do sol, cinco anos compactuados através da admiração, do pertencimento e da irmandade. Trata-se da contemplação interior de um templo que vem unindo artistas, colaboradores, consumidores e diletantes devotos da genuína arte que veio das ruas.

 

Uma casa sempre aberta, vez ou outra deve expor os alicerces que a constituem como uma morada sustentável. Este encontro que configura a “Núcleo”, pretende honrar as nossas intenções mais sinceras do passado, ao mesmo tempo que fertiliza o solo do presente para os devaneios germinarem e crescerem no futuro como estruturas habitáveis. Como veios lacunares de um rio une percursos distintos, esta exposição integra uma parcela da fatura, uma parte do todo que a trajetória da galeria representa.

 

E que esta coletânea venha nos nutrir de expectativas vivas para este ano que parece exigir-nos cores.
 

Bruno Pastore